quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Detalhes

Arrumar a casa do pó do mundo dos dias

É arrebatadora a forma de aceitar uma mentira que sempre se viu nascer

Faz vibrar as cordas com que se prendem os fantoches da voz

(Jamais é dito o que se pensa)

restos

Tu e eu brincámos ao amor. Pretensiosos, achámos que o saberíamos usar em doses não letais e em estados de latente embriaguez ignorámos o perigo da bioacumulação. Sugámos-lhe o conteúdo, inventando repetidamente a perfeita justificação para o pulsar do desejo. Havia sempre uma origem que eu e tu ansiávamos todos os dias, nos recantos das ruas caladas dos nossos novelos de convictas promessas. E tu nunca me quiseste.

Agora estamos aqui, desfeitos e cansados. Esgotámos, debutámos, enchemos de nada o ego dos nossos sentidos. Agora não sei para onde ir nem o que fazer com isto. Tu nunca me amaste. Eu sequei-te no amor que não havia. Onde foi que quis fechar os olhos?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

no one

Passos. Passas por mim e nem me vês. Falas, perguntas, pedes, repetes. Queres um mundo num instante e nem num instante paras para me ver. Insistes, persistes. Estás tão certo que eu quero quase acreditar e ceder mas tu não me vês. Respiras, retomas, reparas as aparas partidas. Só não reparas em mim. Pára, fica, olha-me.